Vacina comum no radar contra o Alzheimer
- Revista Viva Nova Lima

- 20 de fev.
- 3 min de leitura
Estudos científicos indicam que a vacina contra a herpes-zóster pode estar associada à redução do risco de Alzheimer. Atualmente, o imunizante é indicado para prevenir a reativação do vírus da catapora, responsável por uma condição que pode provocar lesões dolorosas na pele e complicações neurológicas

Uma vacina usada há anos na rotina de saúde de adultos mais velhos pode, no futuro, ganhar um papel inesperado: ajudar na prevenção do Alzheimer. A possibilidade vem sendo investigada por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, em um estudo publicado em novembro de 2025 na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.
A pesquisa partiu de uma pergunta estratégica diante de um desafio global: seria possível reaproveitar medicamentos já aprovados, com segurança conhecida, para prevenir ou retardar doenças neurodegenerativas? Para responder a isso, os cientistas analisaram 80 medicamentos usados atualmente para outras finalidades, avaliando quais apresentavam maior potencial para atuar no Alzheimer.
O trabalho reuniu 21 especialistas internacionais em demência, que utilizaram o chamado método Delphi — um modelo de consenso científico no qual evidências são debatidas em várias rodadas até se chegar a uma avaliação coletiva. Ao final do processo, três medicamentos foram considerados prioritários para estudos futuros: o sildenafil, conhecido comercialmente como Viagra; o riluzol, utilizado em doenças do neurônio motor; e a vacina contra herpes-zóster, chamada Zostavax, apontada como a mais promissora do grupo.
Atualmente, a vacina é indicada para prevenir a reativação do vírus da catapora, responsável pela herpes-zóster, condição que pode causar lesões dolorosas e complicações neurológicas, especialmente em idosos. O interesse dos pesquisadores, no entanto, vai além da proteção contra o vírus. Segundo o estudo, a vacina se destaca por três razões principais: possui um perfil de segurança bem estabelecido, por já ser utilizada há muitos anos; atua modulando o sistema imunológico, que tem papel importante nos processos inflamatórios do cérebro; e conta com uma base científica crescente, apoiada por estudos observacionais.
Pesquisas anteriores, realizadas com grandes bancos de dados populacionais, já haviam observado que pessoas vacinadas contra a herpes-zóster apresentavam menor risco de desenvolver demência ao longo do tempo. Em alguns desses estudos, a redução do risco chegou a cerca de 20% em acompanhamentos de médio prazo, levantando a hipótese de que a proteção imunológica poderia influenciar mecanismos ligados ao Alzheimer.
Especialistas ressaltam que a inflamação crônica do cérebro é hoje considerada um dos fatores relevantes no desenvolvimento das doenças neurodegenerativas. Nesse contexto, intervenções que atuam no sistema imunológico — mesmo aquelas criadas originalmente para outras finalidades — passaram a chamar a atenção da ciência.
Apesar dos resultados animadores, os próprios pesquisadores fazem um alerta importante: ainda não é possível afirmar que a vacina previna o Alzheimer. Até o momento, as evidências são observacionais, ou seja, mostram associações, mas não comprovam uma relação direta de causa e efeito. Para isso, serão necessários ensaios clínicos controlados, que avaliem de forma específica o impacto da vacinação sobre a saúde cerebral ao longo do tempo.
Ainda assim, o estudo reforça uma tendência crescente na pesquisa médica: a busca por soluções mais rápidas e acessíveis por meio do reaproveitamento de medicamentos já existentes. Em um cenário em que o desenvolvimento de novas drogas pode levar mais de uma década, encontrar novas funções para terapias conhecidas representa uma esperança concreta para milhões de pessoas.
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