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Da pausa ao propósito

Após deixar a vida urbana, casal transforma rotina, saúde e a conexão com a natureza em uma agroindústria de kombucha que já conquista reconhecimento no Brasil e no exterior


Mesmo com produção ainda em pequena escala — cerca de 700 litros por mês —, a Ponto Eko já conquistou destaque internacional ao ser a única amostra brasileira premiada entre quase 400 participantes no World Kombucha Awards 2025. Foto: divulgação
Mesmo com produção ainda em pequena escala — cerca de 700 litros por mês —, a Ponto Eko já conquistou destaque internacional ao ser a única amostra brasileira premiada entre quase 400 participantes no World Kombucha Awards 2025. Foto: divulgação

Entre o ritmo acelerado da capital mineira e a natureza exuberante de São Sebastião das Águas Claras, em Nova Lima, popularmente conhecido como Macacos, nasceu muito mais do que uma mudança de endereço. Nasceu um novo modo de viver e, com ele, um negócio que traduz, em cada detalhe, escolhas conscientes, afeto e conexão com o meio ambiente. À frente dessa história está Marcelo de Almeida Cunha Ferreira, engenheiro metalurgista de formação que, após décadas atuando em áreas como controle de qualidade, inovação e desenvolvimento de produtos, aposentou-se da profissão, mas não do desejo de empreender.


Ao lado da esposa, a funcionária pública Veruska Célia Gontijo Pereira, decidiu, ainda em 2009, virar a página e transformar a própria rotina. “Foi uma decisão amadurecida ao longo do tempo. Sempre quisemos uma vida mais saudável, com uma alimentação melhor, mais contato com a terra e menos barulho”, relembra. O primeiro passo para o nascimento da Ponto Eko foi a aquisição de um terreno. Na sequência, veio a construção da casa que, desde o início, já nasceu com um propósito maior de integrar moradia, bem-estar e qualidade de vida. O projeto previa, inclusive, um espaço dedicado a práticas como a biodança, ministratadas por Veruska.


A kombucha produzida pelo casal carrega uma proposta funcional. “O limão com gengibre e alfavaca, por exemplo, é ótimo para o sistema respiratório. Já o maracujá com capim-limão tem um efeito mais calmante”, diz Marcelo. Foto: divulgação
A kombucha produzida pelo casal carrega uma proposta funcional. “O limão com gengibre e alfavaca, por exemplo, é ótimo para o sistema respiratório. Já o maracujá com capim-limão tem um efeito mais calmante”, diz Marcelo. Foto: divulgação

Mas, como em tantas trajetórias, o percurso revelou novos caminhos e a história ganhou outros contornos. O ponto de virada veio anos depois, em um cenário desafiador: a pandemia. Isolados em casa e buscando formas de manter o equilíbrio emocional, o casal encontrou na produção artesanal de kombucha um novo sentido para o tempo. De origem milenar, a bebida fermentada é naturalmente gaseificada e produzida a partir de chá — geralmente preto ou verde — adoçado e transformado pela ação de uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras conhecida como SCOBY.


Com sabor agridoce, levemente avinagrado e refrescante, apresenta uma efervescência natural que remete a um refrigerante em versão saudável. Reconhecida por seu potencial probiótico, contribui para o equilíbrio da microbiota intestinal, auxiliando na digestão e fortalecendo a imunidade. A ideia de produzi-la surgiu a partir de um curso realizado por Veruska, inspirado na medicina ayurvédica. “Começamos fazendo em casa, testando sabores, levando para amigos e, pouco a pouco, as pessoas passaram a pedir para comprar”, diz Marcelo. O que parecia simples ganhou contornos mais complexos quando o casal decidiu profissionalizar a produção.


A participação em um projeto técnico do CEFET-MG, voltado à padronização e segurança alimentar, foi o impulso necessário para dar o próximo passo. A partir daí, veio a decisão: transformar a produção artesanal em uma agroindústria. “Empreender no Brasil não é fácil, especialmente os pequenos produtores. São muitas exigências, certificações e custos. Tivemos que estruturar tudo do zero”, relata. O processo que incluiu licenças ambientais, sanitárias, alvarás, adequação de espaço e equipamentos industriais foi financiado com recursos próprios. Em 2023, veio a certificação pelo Ministério da Agricultura e o início oficial das vendas.


Integrando o “Reconecta”, projeto realizado em parceria com o Sebrae, o casal se prepara para abrir as portas da propriedade para experiências imersivas. Foto: divulgação
Integrando o “Reconecta”, projeto realizado em parceria com o Sebrae, o casal se prepara para abrir as portas da propriedade para experiências imersivas. Foto: divulgação


Para o casal, a sustentabilidade não foi apenas um discurso, mas uma prática incorporada ao negócio. Um dos exemplos mais claros é a decisão de substituir as garrafas de vidro pelas latas de alumínio. “A lata tem um índice de reciclagem altíssimo, praticamente total. Além disso, reduz o consumo de água e energia no processo produtivo”, explica Marcelo. O cuidado também se estende à origem dos ingredientes. Grande parte das ervas utilizadas é cultivada no próprio quintal da casa-fábrica ou adquirida de produtores locais. Capim-limão, alfavaca, pimenta-caiena — tudo nasce ali, reforçando a essência de um produto vivo, natural e profundamente conectado ao território.


Mais do que refrescante, a kombucha produzida pelo casal carrega uma proposta funcional. Cada sabor é pensado não apenas pelo paladar, mas também pelas propriedades que pode oferecer. “O limão com gengibre e alfavaca, por exemplo, é ótimo para o sistema respiratório. Já o maracujá com capim-limão tem um efeito mais calmante”, diz o produtor. “É uma bebida que, além de gostosa, faz bem. Isso muda a forma como as pessoas se relacionam com o que consomem”. Mesmo com produção ainda em pequena escala — cerca de 700 litros por mês —, a Ponto Eko já começa a ganhar espaço em pontos estratégicos de Belo Horizonte e região, como cafeterias, restaurantes e mercados selecionados.


O reconhecimento também ultrapassou fronteiras: a kombucha de maracujá foi premiada em concursos nacionais e se destacou no World Kombucha Awards 2025, competição internacional realizada em Barcelona, sendo a única amostra brasileira premiada entre quase 400 participantes. Agora, o próximo passo vai além da produção. Integrando o “Reconecta”, projeto realizado em parceria com o Sebrae, o casal se prepara para abrir as portas da propriedade para experiências imersivas. A proposta é simples e poderosa: permitir que pequenos grupos conheçam o processo produtivo, as plantas, os insumos e, principalmente, reconectem-se com a natureza.




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