Inteligência Artificial recria Einstein, Freud e Aristóteles
- Revista Viva Nova Lima

- há 6 dias
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Projeto idealizado pelo empresário mineiro Rodrigo Carneiro utiliza inteligência artificial para entrevistar personagens históricos sobre temas da atualidade em experiências que unem conhecimento, tecnologia e entretenimento

Por: Daniela Costa
E se fosse possível entrevistar Albert Einstein sobre os avanços da inteligência artificial? Ou ouvir Sigmund Freud refletir sobre os desafios emocionais do mundo contemporâneo? E como Aristóteles interpretaria as relações humanas na era digital? O que até pouco tempo parecia um exercício de imaginação começa a ganhar forma graças aos avanços tecnológicos.
Em Minas Gerais, um projeto inovador vem utilizando inteligência artificial para recriar grandes personalidades da história em entrevistas interativas sobre temas da atualidade. Idealizada pelo empresário Rodrigo Carneiro, sócio do Grupo Bel – um dos maiores conglomerados de comunicação do estado, responsável por veículos como a Rádio 98 FM – e fundador da Ajax, agência especializada em inovação e projetos de inteligência artificial, a iniciativa tem despertado a curiosidade do público ao unir tecnologia, pesquisa histórica e produção de conteúdo.
Nas redes sociais, Rodrigo conduz conversas ao vivo com versões digitais de personagens que marcaram a história da humanidade, como Albert Einstein, Sigmund Freud, Nicolau Maquiavel e Aristóteles. O resultado é uma experiência que convida o público a refletir sobre ciência, filosofia, comportamento humano e tecnologia sob perspectivas que atravessam séculos.
Como surgiu a ideia de entrevistar personagens históricos utilizando inteligência artificial?
A curiosidade sempre foi uma força motriz na trajetória profissional de Rodrigo Carneiro. Herdeiro de uma família que ajudou a escrever capítulos importantes da história do rádio em Minas Gerais, ele cresceu imerso no universo da comunicação. Mas, em vez de seguir apenas pelos caminhos já consolidados do setor, decidiu explorar uma fronteira ainda pouco conhecida: a convergência entre inteligência artificial, conhecimento histórico e inovação.
A iniciativa nasceu após um período de reflexão sobre os rumos do conteúdo que produzia. Durante anos, Rodrigo esteve diretamente envolvido com programas de análise política, mas percebeu que a crescente polarização acabava interferindo na maneira como o público consumia as informações.
"Eu gosto muito de política e considero um tema essencial para qualquer cidadão. Mas chegou um momento em que percebi que as pessoas já assistiam ao conteúdo criando uma antipatia ou uma identificação automática, dependendo daquilo que imaginavam que eu pensava. Isso começou a me desgastar", conta.
Foi então que decidiu direcionar sua atenção para assuntos que sempre despertaram seu interesse, como filosofia, história, tecnologia e comportamento humano.
"Eu tenho uma necessidade quase natural de fazer algo diferente. Não por vaidade, mas porque gosto de explorar novos formatos e descobrir caminhos que ainda não foram percorridos", afirma.
A ideia do projeto surgiu quando planejava lançar um novo podcast. Em vez de entrevistar apenas personalidades contemporâneas, passou a se perguntar como seria conversar com pessoas que ajudaram a transformar a história da humanidade. A resposta veio por meio da inteligência artificial.

Como a inteligência artificial recria Einstein, Freud e Aristóteles?
Cada personagem passa por um complexo processo de construção digital. Diversas ferramentas trabalham simultaneamente para reproduzir aparência, voz, comportamento e forma de pensamento. O objetivo é criar uma experiência o mais próxima possível da personalidade histórica representada.
"Não queremos que a inteligência artificial responda aquilo que gostaríamos de ouvir. Nosso desafio é justamente reproduzir o pensamento daquela pessoa da forma mais fiel possível, com base em tudo o que ela escreveu, falou e representou ao longo da vida", explica Rodrigo.
Segundo ele, uma tecnologia proprietária desenvolvida por sua equipe, chamada Smart Brain, ajuda a integrar diferentes modelos de inteligência artificial para criar uma personalidade digital única e coerente. O resultado são entrevistas ao vivo, com aproximadamente 20 minutos de duração, em que o apresentador conversa com figuras históricas como se elas estivessem presentes.
Embora a tecnologia permita experiências cada vez mais sofisticadas, Rodrigo ressalta que o projeto não pretende substituir documentos históricos ou apresentar verdades absolutas.
"Estamos falando de entretenimento e conhecimento. Nosso compromisso é estudar profundamente cada personagem para que as respostas façam sentido dentro do contexto da vida daquela pessoa."
Quando Freud virou terapeuta do entrevistador
Entre todos os episódios produzidos até agora, um deles teve um impacto inesperado sobre o próprio entrevistador. Durante os testes realizados com Sigmund Freud, a conversa acabou tomando um rumo diferente do planejado. O criador do projeto se viu emocionalmente envolvido pelas respostas geradas pela inteligência artificial.
"Antes da entrevista, a conversa acabou virando uma sessão de terapia. Em determinado momento, ele tocou em questões que me fizeram refletir sobre minha própria vida. Eu fiquei tão impactado que perdi completamente o foco da entrevista", relembra.
O resultado foi uma gravação que, segundo Rodrigo, não ficou boa. Ainda assim, decidiu compartilhar a experiência com o público de forma transparente. "Expliquei exatamente o que havia acontecido e fiz uma enquete perguntando se as pessoas queriam assistir mesmo assim. Acabei regravando e o resultado final ficou muito melhor."

Inteligência artificial, ética e responsabilidade
À medida que a inteligência artificial ganha espaço em diferentes setores da sociedade, também cresce o debate sobre seus limites éticos. Rodrigo acredita que o desenvol-vimento dessas ferramentas deve ser acompanhado de responsabilidade e pensamento crítico.
"Eu nunca tive medo da tecnologia. Prefiro entendê-la e aprender a utilizá-la antes que ela me domine. A inteligência artificial vai trazer muito mais benefícios do que prejuízos para a sociedade. Mas as pessoas precisam aprender a utilizar essas ferramentas de forma responsável e consciente."
Apesar de abordar temas frequentemente associados ao universo acadêmico, o empresário afirma que seu maior desafio atualmente não é tecnológico, mas comunicacional. "O meu desafio hoje não é mais tecnológico. É encontrar uma linguagem que torne assuntos complexos atrativos para qualquer pessoa."
A resposta do público tem surpreendido. Vídeos que inicialmente pareciam destinados a um grupo restrito de interessados passaram a alcançar milhares de visualizações e estimular discussões sobre filosofia, ciência, história e comportamento humano.
"Eu achei que estava fazendo o conteúdo mais nerd possível. Mas recebi retorno positivo de pessoas dos mais diversos perfis. Isso me mostrou que existe espaço para esse tipo de conversa."
Os próximos convidados virtuais
Entre os próximos personagens históricos que devem participar das entrevistas estão Napoleão Bonaparte, Platão, Alexandre, o Grande, Santos Dumont e um nome que desperta tanto interesse quanto cautela: Jesus Cristo.
"Tenho muita vontade de entrevistá-lo. Ao mesmo tempo, é o projeto que mais me exige responsabilidade. Estamos falando de fé, um tema que merece respeito absoluto."
Enquanto isso, Rodrigo Carneiro segue explorando novas possibilidades para aproximar passado e presente por meio da tecnologia. Em um tempo marcado pela velocidade da informação, suas entrevistas virtuais mostram que a inteligência artificial também pode ser utilizada para despertar algo genuinamente humano: a curiosidade.
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