Um novo olhar sobre o habitar
- Revista Viva Nova Lima

- há 7 dias
- 4 min de leitura
Entre o sensorial e o sustentável, a arquiteta e designer de interiores Manuela Senna desenvolve projetos que priorizam a autenticidade, o bem-estar e uma estética atemporal

Por: Daniela Costa
Em um cenário cada vez mais orientado pela sensorialidade e pela busca por autenticidade, a arquitetura contemporânea em 2026 se distancia de modismos passageiros e se aproxima de uma abordagem mais profunda e duradoura. O momento atual revela uma transformação na forma de projetar e, sobretudo, de viver os espaços, rompendo com a rigidez dos estilos definidos. Segundo a arquiteta, urbanista e designer de interiores Manuela Senna, o cenário atual revela um equilíbrio refinado entre diferentes linguagens.
“Existe um diálogo interessante entre minimalismo e maximalismo, mas ambos vêm sendo reinterpretados. O minimalismo deixa de ser rígido e passa a ser mais sensorial, enquanto o maximalismo surge de forma mais curada, menos excessiva e mais autoral”, explica. Nesse contexto, o conceito de “menos excesso, mais intenção” ganha força. Não se trata de reduzir ou acumular, mas de escolher com consciência. “No fim, o que prevalece não é o estilo em si, mas a intenção. Há uma valorização clara da simplicidade bem resolvida, da materialidade honesta”.
Essa mudança também se reflete no comportamento dos clientes, que hoje participam mais ativamente do processo criativo. A busca já não se limita à estética: há uma preocupação crescente com funcionalidade, durabilidade e, sobretudo, com a conexão entre o espaço e o estilo de vida. “O cliente está mais maduro e mais envolvido em cada etapa. Há uma busca crescente por autenticidade e por soluções que traduzam, de fato, o seu modo de viver, e não apenas referências estéticas”, destaca Manuela. Esse novo perfil impacta diretamente o resultado final dos projetos, que se tornam mais personalizados e coerentes com o cotidiano de quem os habita.

Em Minas Gerais, essa tendência se traduz em uma arquitetura contemporânea com base atemporal, que valoriza referências locais e elementos naturais. A estética mineira, marcada pela sobriedade e pelo acolhimento, segue presente — agora reinterpretada com sofisticação e sensibilidade. “Existe um apreço pela sobriedade, pelo uso equilibrado de materiais e por ambientes acolhedores. Mais do que um estilo definido, o que se destaca é essa busca por projetos elegantes, com identidade e profundidade”, observa a arquiteta.
A escolha dos materiais também acompanha essa lógica. Em vez de acabamentos meramente estéticos, ganha espaço aquilo que oferece experiência e longevidade. Pedras naturais, madeira e superfícies com textura são protagonistas, especialmente por sua capacidade de envelhecer com beleza. “Há uma preferência por acabamentos mais autênticos, menos industrializados visualmente. A escolha dos materiais está cada vez mais relacionada à durabilidade, à manutenção e à experiência sensorial”, explica.
Se antes era tendência, hoje a sustentabilidade se consolida como ponto de partida. Ela está presente desde as primeiras decisões do projeto, influenciando desde a implantação até a escolha dos materiais. “É uma sustentabilidade menos discursiva e mais incorporada ao processo. Está na orientação solar, na ventilação natural, na redução de desperdícios e na busca por soluções duráveis”, afirma Manuela.

Outro aspecto marcante é a integração cada vez mais natural da tecnologia. Automação, controle de iluminação e climatização já fazem parte da rotina, mas de forma discreta e funcional. A tecnologia deixa de ser protagonista e passa a atuar como suporte, melhorando a experiência do espaço sem interferir na estética. Paralelamente, cresce a valorização de ambientes que promovem bem-estar e conexão com a natureza.
Iluminação natural, ventilação cruzada, presença de vegetação e integração entre áreas internas e externas tornam-se elementos essenciais. “Há uma preocupação maior em criar espaços que desacelerem , acolham e promovam uma sensação real de bem-estar”, ressalta. No design de interiores, a transformação é ainda mais marcante. O foco deixa de ser apenas visual e passa a considerar aspectos sensoriais e emocionais.
“O design hoje é muito mais sobre experiência do que sobre imagem. Trabalhamos com luz, textura, acústica e proporção para criar ambientes que acolham e promovam bem-estar”, explica. Essa abordagem também se reflete na decoração, que abandona o excesso e aposta na curadoria. “Cada elemento é escolhido com intenção, criando ambientes sofisticados, equilibrados e com leitura mais clara”, completa.

Para Manuela, a arquitetura caminha para um futuro ainda mais consciente, com o avanço de materiais de menor impacto ambiental e soluções baseadas na descar-bonização. “Mais do que a adoção pontual desses materiais, vejo uma mudança de mentalidade que busca projetar com responsabilidade, priorizando durabilidade, eficiência e escolhas equilibradas”.
Em 2026, a arquitetura não busca apenas impressionar: ela busca fazer sentido. E, nesse movimento, revela um novo luxo: o de viver bem, com intenção, identidade e permanência.
Clique no link e acesse a quarta edição da Revista Viva Nova Lima. Baixe, explore e compartilhe um novo jeito de ver, sentir e viver a nossa cidade!
Aproveite também para acessar o nosso canal Youtube e ter acesso a entrevistas exclusivas!






