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Uma nova era para o ensino público

Parcerias público-privadas impulsionam um novo modelo de ensino em Minas Gerais e na rede municipal de Nova Lima, ampliando a trajetória de milhares de alunos


Fotos: Lucas Mendes /PMNL
Fotos: Lucas Mendes /PMNL

Quando se fala em escola, quase sempre se pensa primeiro na sala de aula, no professor diante do quadro, no caderno aberto sobre a carteira e nos alunos. Mas, para o Secretário Municipal de Educação de Nova Lima (SEMED), Marcos Evangelista, a transformação começa antes mesmo da pedagogia. Começa na estrutura que sustenta o dia a dia de uma comunidade escolar inteira.


Foi pensando nisso que o município aderiu à chamada Parceria Público-Privada ou PPP da Educação. Uma proposta que vai além de prédios novos e reformas e aposta em um novo padrão de gestão para devolver tempo, foco e qualidade ao que realmente importa: o ensino e a aprendizagem. Em sua análise, as PPPs representam mais do que uma solução financeira. “Elas são, sobretudo, uma oportunidade de repensar a própria concepção de ensino e de ambiente escolar para o século XXI”, reforça o secretário.


A primeira escola-modelo do município, a Escola Municipal Carlos Henrique Roscoe, foi inaugurada em novembro de 2025, no bairro retiro, em um investimento de R$ 5 milhões. E é só o começo. O contrato prevê a construção de cinco novas unidades a partir do zero, a reforma e a ampliação de outras 28 escolas e a manutenção de toda a rede municipal. E isso não se limita à sede de Nova Lima. Bairros como Jardim Canadá, Santa Rita e outras regiões do município entram no mesmo modelo de gestão.


“Fizemos estudos preliminares, avaliamos bases jurídicas, econômicas e administrativas que estruturaram um projeto pensado para evitar um problema recorrente na administração pública: a descontinuidade”, diz o vereador Pedro Dornas, ex-secretário de educação.


“A ideia é que a escola seja um espaço bonito, acolhedor mas, principalmente, funcional, capaz de estimular o aluno e valorizar o professor”, afirma Marcos Evangelista, Secretário Municipal de Educação de Nova Lima (SEMED)
“A ideia é que a escola seja um espaço bonito, acolhedor mas, principalmente, funcional, capaz de estimular o aluno e valorizar o professor”, afirma Marcos Evangelista, Secretário Municipal de Educação de Nova Lima (SEMED)

O contrato, com duração de 30 anos e investimento estimado em R$ 1,2 bilhão, prevê a diluição dos custos ao longo do tempo, garantindo previsibilidade financeira ao município e reduzindo os riscos de abandono de obras, comuns em licitações tradicionais. A estrutura em consórcio, formada por grandes empresas, também assegura maior capacidade técnica e continuidade dos projetos.


Nesse modelo, a iniciativa privada assume a gestão dos chamados facilities: construção, reformas, manutenção, segurança, jardinagem, limpeza, vigilância, alimentação e infraestrutura, em uma espécie de leilão reverso: o município define as bases e os valores, e as empresas concorrentes oferecem descontos sobre o custo de administrar o patrimônio ao longo dos anos. A proposta vai além da infraestrutura. As novas escolas e as unidades reformadas seguem as exigências da legislação educacional atual e às demandas contemporâneas.


O projeto contempla salas de atendimento educacional especializado, espaços para tempo integral, áreas multidisciplinares, bibliotecas centrais, brinquedotecas, ambientes para professores, acessibilidade plena e integração com a comunidade, com quadras, auditórios e espaços esportivos abertos ao entorno.


Entre os eixos do modelo estão a sustentabilidade - com geração de energia para abastecer as escolas - a inclusão social, a inovação tecnológica - com sistemas de reconhecimento facial e gestão digital - e a segurança, com controle de acesso e separação entre áreas administrativas e pedagógicas. “A ideia é que a escola seja um espaço bonito, acolhedor mas, principalmente, funcional, capaz de estimular o aluno e valorizar o professor”, afirma Marcos Evangelista.


De arquitetura marcante, a primeira Escola Modelo reúne áreas de convivência, salas temáticas e ambientes concebidos para o uso pedagógico e social, chamando a atenção não apenas pela estética, mas sobretudo pela funcionalidade. E as obras continuam nas unidades de educação infantil e ensino fundamental do município, incluindo áreas de maior vulnerabilidade social. Entre os diferenciais das PPPs da Educação, está a implantação de salas multissensoriais — espaços voltados para alunos com deficiência e estudantes no espectro autista, que demandam estímulos e ambientes específicos para regulação de compor-tamento e aprendizado.


Essas salas já estão previstas para, ao menos, 14 unidades, e devem ser ampliadas conforme o avanço das obras de reforma e construção. “A solução não é só o equipamento. Ela vem com um programa de formação para os professores”, ressalta o secretário. Os docentes da rede municipal participam de capacitações dentro da própria carga horária, em cursos que abordam desde o uso da tecnologia até práticas de educação inclusiva. Um tema que, segundo Evangelista, sequer fazia parte da formação universitária de muitos profissionais há uma década. “Hoje, a inclusão é uma realidade. Mas ela também exige mais preparo, mais equipe, mais suporte. São dois lados da mesma moeda”, observa.


Para uma cidade em constante transformação, a escola deixa de ser apenas um prédio e passa a ser um projeto de futuro.



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