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Hospital da Baleia será primeiro do Brasil a adotar tecnologia de simulação para aprimorar empatia na saúde

Plataforma SIMFONIK, desenvolvida a partir de pesquisas em parceria com a University of Greenwich, utiliza experiências sonoras para treinar comunicação, escuta e habilidades relacionais entre profissionais de saúde


Na primeira etapa, cerca de 47 profissionais que ocupam cargos de liderança na instituição  participarão do treinamento. Foto: Divulgação
Na primeira etapa, cerca de 47 profissionais que ocupam cargos de liderança na instituição participarão do treinamento. Foto: Divulgação

Tecnologia e humanização nem sempre aparecem como conceitos associados quando o assunto é inovação na saúde. Uma iniciativa que começa a ser implantada em Belo Horizonte, no entanto, pretende aproximar essas duas frentes. O Hospital da Baleia será a primeira instituição hospitalar brasileira a incorporar de maneira contínua a plataforma SIMFONIK ao treinamento de suas equipes.


A implantação terá início em 27 de agosto e integra a estratégia de capacitação permanente dos mais de 1.500 colaboradores da instituição. A ferramenta utiliza simulações imersivas baseadas em áudio para reproduzir situações inspiradas no cotidiano dos serviços de saúde e estimular o desenvolvimento de competências como comunicação, escuta ativa e empatia.


Na primeira etapa, cerca de 47 profissionais que ocupam cargos de liderança — entre coordenadores, gerentes, superintendentes e o diretor executivo — participarão de uma atividade das 8h às 16h, no auditório Maria Ambrosina, no Hospital da Baleia.


Experiências sonoras simulam situações do cotidiano


A proposta da SIMFONIK é colocar os participantes diante de diferentes cenários por meio do som. As experiências permitem vivenciar situações desafiadoras e, a partir delas, refletir sobre a maneira como profissionais ouvem, conversam e estabelecem relações com pacientes, familiares e também com outros integrantes das equipes.


A plataforma foi desenvolvida por equipes do Brasil e do Reino Unido, em parceria com a University of Greenwich, a partir de pesquisas relacionadas à inovação imersiva aplicada à saúde. Os cenários são construídos com a participação de pacientes, pesquisadores e profissionais da área, buscando colocar a experiência de quem recebe o atendimento no centro do processo de aprendizagem.


Antes de chegar ao Hospital da Baleia, a metodologia já havia sido experimentada em outros contextos. No Brasil, foi utilizada com colaboradores do Hospital Israelita Albert Einstein durante o V Simpósio de Simulação e também apresentada na Universidade de São Paulo (USP), em atividades destinadas a estudantes, pesquisadores e profissionais de saúde.


A experiência em Belo Horizonte, entretanto, terá uma diferença importante: em vez de uma demonstração ou ação isolada, a tecnologia passará a integrar de forma contínua o desenvolvimento das equipes do hospital.


Tecnologia a serviço da humanização


Para Jorge Lopes Ramos, professor da University of Greenwich e cofundador da SIMFONIK, desenvolver uma cultura de atendimento humanizado exige mais do que incorporar o conceito ao discurso institucional.


“Humanização não se constrói apenas com discurso; ela precisa fazer parte da prática. Escolhemos o Hospital da Baleia para essa primeira aplicação porque essa cultura já está presente na identidade da instituição. Agora, o desafio é levá-la para diferentes áreas e níveis da organização, usando SIMFONIK como uma ferramenta para exercitar escuta, comunicação e empatia. Começar essa nova etapa no Brasil ao lado do Hospital da Baleia é um privilégio”, afirma.

A expectativa é que a utilização permanente permita observar como a metodologia pode contribuir para o desenvolvimento das relações dentro do ambiente hospitalar e, futuramente, sirva de referência para outras instituições brasileiras interessadas em adotar ferramentas semelhantes.


Para o diretor executivo do Hospital da Baleia, Fábio Patrus, incorporar novas tecnologias deve significar também melhorar a experiência das pessoas envolvidas no cuidado.


“A inovação que buscamos no Hospital da Baleia precisa gerar impacto não apenas nos processos, mas também na experiência das pessoas. Ao incorporar uma iniciativa como a SIMFONIK, avançamos na utilização de novas tecnologias para desenvolver competências essenciais ao cuidado, como empatia, comunicação e escuta. Modernizamos nossas práticas sem abrir mão da humanização, que permanece como um dos pilares da nossa atuação”, destaca.

Hospital atende exclusivamente pelo SUS


Mantido pela Fundação Benjamin Guimarães, o Hospital da Baleia foi fundado em 1944 e mantém uma trajetória ligada à assistência filantrópica em Belo Horizonte. Desde 2024, a instituição realiza seus atendimentos 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


O hospital mantém centros de referência em áreas como oncologia, ortopedia, nefrologia, pediatria, saúde da mulher e tratamento de fissuras craniofaciais, além de atuar na formação profissional e na pesquisa, com programas de residência médica. Somente em 2024, foram realizados mais de 810 mil procedimentos, incluindo cirurgias, tratamentos oncológicos e sessões de hemodiálise.


Com a chegada da SIMFONIK, a instituição passa a experimentar uma tecnologia que não pretende substituir o contato humano, mas justamente aprimorá-lo. Ao utilizar recursos imersivos para exercitar situações que fazem parte da rotina hospitalar, a proposta é reforçar uma dimensão do atendimento que continua essencial mesmo diante dos avanços tecnológicos: a capacidade de ouvir, compreender e se comunicar com quem precisa de cuidado.


Saiba como apoiar a instituição: https://hospitaldabaleia.org.br/


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