Minas Gerais: 305 anos de história, memória e diversidade
- Revista Viva Nova Lima

- 2 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A história da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, se entrelaça às incursões dos bandeirantes paulistas pelo sertão mineiro em busca de ouro e pedras preciosas. Foto: reprodução internet
Minas são muitas em uma só. É montanha, fé, história, arte e gente que carrega no jeito mineiro um mundo inteiro de delicadezas e resistências. Embora o território tenha sido oficialmente reconhecido em 1696, quando bandeirantes encontraram ouro na região de Mariana, Minas já pulsava antes disso. No Norte, às margens do Velho Chico, a história começava a ser escrita em 1670, em torno da igreja de Matias Cardoso, um dos marcos mais antigos de ocupação do estado.
A história da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição no município, se entrelaça às incursões dos bandeirantes paulistas pelo sertão mineiro em busca de ouro e pedras preciosas. Entre eles, destacou-se Januário Cardoso, considerado o principal benfeitor do arraial e responsável pela edificação do templo, provavelmente construído entre 1670 e 1673.
A igreja chama atenção pela arquitetura singular: erguida como uma espécie de fortaleza, possui estrutura autônoma em alvenaria de tijolos requeimados e duas torres quadrangulares, cada uma coroada por coruchéus nos quatro ângulos e um pináculo na cumeeira. É um dos mais antigos e marcantes monumentos do Norte de Minas.
Em 2 de dezembro de 1720, nasce a Capitania de Minas Gerais, tendo como capital a imponente Vila Rica, hoje Ouro Preto. Depois se tornaria Província abrigando o principal centro administrativo, fiscal e militar do ciclo do ouro. E hoje, como estado, Minas celebra 305 anos de uma trajetória que moldou a política, a cultura e a identidade brasileira.
Ao longo da história, o estado se transformou em barroco, literatura, culinária e diversidade. O território ensinou o Brasil a olhar para a liberdade, para o patrimônio, para a arte e para a força das comunidades, deixando o convite para celebrar essa história múltipla e, ao mesmo tempo, tão unida pelo sentimento mineiro de pertencimento.

O começo da história
Muito antes de Minas Gerais existir oficialmente como capitania, o território que hoje conhecemos já era cheio de vida. Arraiais surgiam ao redor das minas, fazendas se espalhavam pelos vales, igrejas marcavam pontos de encontro e pequenos núcleos urbanos começavam a tomar forma. Era um espaço dinâmico, habitado e em transformação, mas ainda sem unidade política.
Até o início do século XVIII, o atual território mineiro estava dividido entre outras capitanias. A porção Norte era administrada pela Bahia, conectada pelos rios, pelo gado e pelas rotas que seguiam rumo ao Nordeste. Já a região centro-sul, palco da mineração, pertenceu primeiro à antiga Capitania de São Vicente e, mais tarde, passou para a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.
Na prática, havia vida social, econômica e cultural pulsando nessas terras. O que não havia ainda era um corpo político único chamado Minas Gerais. Faltava um governo próprio, uma estrutura administrativa centralizada e uma capital que organizasse o território.
Essa realidade começaria a mudar apenas em 1720, quando a Coroa portuguesa, pressionada pelo crescimento da mineração e pela necessidade de controle mais eficiente, criaria formalmente a Capitania de Minas Gerais. Um marco que daria início à unidade político-administrativa que conhecemos hoje.
Em 2025, Minas segue em processo de lapidação, escrevendo novos capítulos nas políticas públicas, na proteção de suas cidades históricas e paisagens naturais, e nas formas de cuidar das periferias, das culturas populares, do patrimônio afromineiro e dos povos indígenas e tradicionais — passos firmes rumo a um Estado mais inclusivo, diverso e consciente.







