Arquitetura que protege a natureza
- Revista Viva Nova Lima

- 17 de fev.
- 2 min de leitura
Escócia torna obrigatórios “tijolos-ninho” em novas construções. A medida busca recuperar a população de andorinhões e reforça uma tendência global de integrar biodiversidade ao planejamento urbano

Uma iniciativa recente aprovada pelo Parlamento da Escócia mostra como pequenas soluções podem ter grande impacto na preservação da fauna. Em janeiro de 2026, foi aprovada uma lei que torna obrigatória a instalação dos chamados “tijolos-ninho” (swift bricks) em novas construções no país, sempre que a medida for considerada viável e apropriada.
Os tijolos-ninho são blocos ocos instalados nas paredes durante a obra. Eles funcionam como abrigos permanentes para aves que nidificam em cavidades, especialmente os andorinhões-pretos — espécie que já foi muito comum no Reino Unido, mas cuja população caiu cerca de 66% nos últimos 25 anos.
Especialistas atribuem essa queda principalmente à modernização das cidades. Edifícios antigos, que possuíam frestas, beirais e cavidades naturais, foram substituídos por construções mais vedadas, reduzindo drasticamente os locais disponíveis para reprodução dessas aves.

A proposta que deu origem à nova regra foi apresentada pelo parlamentar escocês Mark Ruskell, do Partido Verde, e incluída em uma emenda ao Projeto de Lei do Meio Ambiente Natural. A ideia é que espaços para nidificação passem a ser considerados um item padrão nas edificações, assim como isolamento térmico ou sistemas de segurança.
Segundo defensores da iniciativa, a solução é simples e de baixo custo: cada tijolo custa cerca de 30 libras e pode durar décadas sem necessidade de manutenção. Além disso, a medida não interfere no ritmo das construções nem eleva significativamente os custos das obras.
A legislação, apoiada por parlamentares de diferentes partidos, ainda passará por um período de consulta pública para definição dos padrões técnicos que deverão ser adotados nos projetos.
Educação ambiental e exemplos pelo mundo
Embora a obrigatoriedade legal seja uma novidade, projetos educativos voltados à proteção das aves já vêm sendo desenvolvidos em diferentes países. Escolas ligadas à rede internacional Eco-Schools, por exemplo, realizam atividades em que alunos desenham e constroem caixas-ninho para estimular a biodiversidade local.
No Brasil, iniciativas semelhantes também vêm ganhando espaço. Em Rio do Oeste, em Santa Catarina, estudantes do ensino fundamental participaram de projetos de construção de ninhos artificiais como forma de aprendizado sobre conservação ambiental e convivência com a fauna urbana.
Uma tendência que pode inspirar cidades
A experiência escocesa reforça um conceito cada vez mais presente no urbanismo contemporâneo: cidades que não apenas crescem, mas também convivem com a natureza.
Em regiões como Nova Lima, onde áreas urbanas e ambientes naturais estão tão próximos, ações que favorecem a fauna — como preservação de matas, instalação de caixas-ninho e projetos de educação ambiental — mostram que desenvolvimento e biodiversidade podem caminhar juntos.
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