Ativistas protestam contra exportação marítima de animais vivos
- Revista Viva Nova Lima

- 15 de jun.
- 3 min de leitura
Manifestação realizada na Feira da Afonso Pena integrou mobilização nacional que ocorreu simultaneamente em mais de 30 cidades brasileiras

Ativistas da causa animal se reuniram na manhã do último domingo (14), na Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, para protestar contra a exportação marítima de animais vivos. O ato fez parte do Dia Mundial de Conscientização pelo Fim da Exportação de Animais Vivos e ocorreu simultaneamente em mais de 30 cidades brasileiras.
A mobilização na capital mineira foi organizada pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA), que realiza a manifestação há nove anos consecutivos. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para as condições enfrentadas pelos animais durante o transporte internacional e pressionar o Congresso Nacional pela aprovação de projetos de lei que proíbam a prática no Brasil.
Segundo organizações de proteção animal, milhares de bovinos são embarcados anualmente em navios rumo a países do Norte da África e do Oriente Médio. Durante viagens que podem durar mais de 30 dias, os animais permanecem confinados em espaços reduzidos, submetidos a altas temperaturas, acúmulo de dejetos e condições consideradas inadequadas para o bem-estar animal.
A coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, Adriana Araújo, destaca que os impactos da atividade vão além do sofrimento dos animais transportados. "Além do grande sofrimento dos animais, existe um impacto ambiental significativo causado pelo descarte de resíduos no oceano e pela morte de animais durante o trajeto. Isso afeta a vida marinha, contribui para desequilíbrios ambientais e aumenta os riscos sanitários", afirma.

Mais de um milhão de bovinos exportados
Dados da consultoria Agrifatto, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior, apontam que o Brasil exportou aproximadamente 1,05 milhão de bovinos vivos em 2025. Os embarques ocorreram principalmente pelos portos de Vila do Conde (PA), Rio Grande (RS) e São Sebastião (SP).
Entidades de defesa animal afirmam que as condições dentro das embarcações favorecem o desenvolvimento de doenças respiratórias, lesões, estresse térmico e mortalidade dos animais ao longo da viagem. Para Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Animal, os registros obtidos dentro dos navios evidenciam uma realidade preocupante.
"O sofrimento imposto aos animais durante esse transporte é enorme. Os poucos registros disponíveis mostram condições extremamente degradantes e incompatíveis com os avanços éticos que a sociedade busca alcançar", afirma.
Debate chega ao Congresso Nacional
A mobilização também busca impulsionar a tramitação de projetos de lei que propõem o fim da exportação marítima de animais vivos no país. Entre eles estão o PL 2627/2025, de autoria da deputada federal Duda Salabert, e o PL 3093/2021, apresentado pelo senador Fabiano Contarato.
Os defensores da proibição citam exemplos internacionais. Países como Alemanha, Reino Unido, Índia e Nova Zelândia já adotaram restrições ou encerraram esse tipo de comércio em razão de preocupações relacionadas ao bem-estar animal, aos impactos ambientais e aos riscos sanitários.
Questão ambiental e de saúde pública
Além das denúncias relacionadas ao sofrimento animal, organizações envolvidas na campanha apontam consequências ambientais associadas à atividade. Entre elas estão o aumento das emissões de gases de efeito estufa, a pressão sobre áreas naturais destinadas à expansão da pecuária e potenciais impactos sobre biomas como a Amazônia e o Cerrado.
Outro ponto levantado pelos ativistas diz respeito aos riscos sanitários. Especialistas alertam que o transporte de grandes quantidades de animais vivos por longos períodos pode favorecer a disseminação de doenças, ampliando os desafios para a saúde animal e humana. Ao final da manifestação, os participantes reforçaram a defesa de alternativas que priorizem o transporte de carne processada em vez de animais vivos, reduzindo o sofrimento animal e os impactos ambientais associados à atividade.
A mobilização em Belo Horizonte integrou um movimento global que busca ampliar o debate sobre os limites éticos da exploração animal e o futuro das cadeias produtivas ligadas à pecuária internacional.
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