Redescobrindo o corpo
- Daniela Costa

- há 4 dias
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Pilates ganha protagonismo entre mulheres após os 40 anos promovendo força, consciência corporal e bem-estar

Por: Daniela Costa
No ritmo acelerado da vida contemporânea, em que o corpo muitas vezes acompanha a mente em piloto automático, encontrar uma prática que une movimento, consciência e bem-estar tornou-se quase uma necessidade, especialmente para mulheres que atravessam a fase dos 40 anos. É nesse cenário que o pilates ganha protagonismo como uma ferramenta de reconexão.
À frente do estúdio Spirale Pilates, no Vila da Serra, a fisioterapeuta e professora Isabela Gomes defende um olhar mais profundo sobre o método. Fundado em 2012, o espaço nasceu pequeno, mas cresceu junto com a convicção da profissional de preservar a essência do pilates clássico. “Percebo que muitos estúdios perderam a identidade do método ao longo do tempo e eu não quis perder nem a qualidade, nem a essência. Trabalho com o pilates como ele foi criado, respeitando seus princípios”, explica.
O método, inicialmente chamado de Contrologia, foi desenvolvido pelo alemão Joseph Hubertus Pilates no início do século XX, em meio ao contexto da Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Criado com a proposta de alongar, fortalecer e promover o equilíbrio postural, conquistou espaço ao longo das décadas e, desde então, vem ganhando cada vez mais adeptos em todo o mundo. Mas, diferentemente do que muitos imaginam, o pilates não se resume a uma atividade física convencional. “É um método de condicionamento físico e mental. Trabalhamos o corpo e o espírito de forma integrada. Não dá para separar físico, emocional e mental, principalmente no mundo atual”, afirma Isabela.

Segundo ela, a prática rompe com o automatismo comum em outros exercícios. “Muitas vezes, a pessoa está na academia com a cabeça em outro lugar. No pilates, não. Você precisa estar presente. A respiração, o foco e o movimento caminham juntos”. Essa consciência corporal, diz ela, é um dos grandes diferenciais do método e impacta diretamente na saúde da mulher. Tensões acumuladas, dores recorrentes e até sintomas como bruxismo podem estar relacionados à desconexão entre corpo e mente.
“Às vezes, geramos tensões que nem percebemos. Isso pode virar dor de cabeça, desconforto, rigidez. O pilates ajuda a limpar esses padrões e trazer mais equilíbrio”, completa Isabela. A terapeuta ocupacional Cibele Costa Fontenele, 57 anos, pratica pilates desde os 40 e relata que seu corpo se tornou mais forte, flexível e livre de dores ao longo do tempo. Segundo ela, a conexão entre corpo e mente desenvolvida nas aulas reflete diretamente no dia a dia, contribuindo para o enfrentamento de desafios e a superação de limitações. “O pilates impactou significativamente minha saúde e bem-estar, tornando-se um grande aliado para um envelhecimento saudável, com mais autonomia e qualidade de vida”.
No bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte, o fisioterapeuta e professor Clério Muratori, à frente do estúdio que leva seu nome, acompanha de perto o crescimento do método como aliado de mulheres que buscam mais saúde, consciência corporal e longevidade. Com o avanço da idade — especialmente após os 40 anos — o corpo feminino passa por transformações importantes, como a redução dos níveis de estrogênio, que pode impactar a densidade óssea, a massa muscular e a postura. Nesse contexto, diz o especialista, o pilates se apresenta como uma estratégia eficaz de cuidado integral. “É preciso pensar o corpo como um todo. Não é só o osso, nem apenas o músculo. É um equilíbrio músculo-esquelético. O pilates trabalha com descarga de peso, o que contribui para a manutenção da densidade óssea e ajuda na prevenção da osteoporose”, explica.

Além disso, o fortalecimento do chamado “centro de força” — o core — é fundamental para sustentar a coluna, melhorar o alinhamento corporal e prevenir dores, especialmente na região lombar. Para Clério, o impacto vai muito além dos benefícios físicos. “É um trabalho sistêmico. Muitas vezes, a mulher chega estressada, irritada, com o corpo sobrecarregado. A aula ajuda a aquecer, movimentar e reorganizar esse corpo, e isso se reflete diretamente em seu bem-estar”. No Aos 62 anos, Paula Cardieri Monteiro é um exemplo de como o pilates pode transformar a relação com o próprio corpo ao longo do tempo. Seu primeiro contato com o método aconteceu em 2016, aos 53 anos, com uma pausa durante a pandemia e retomada em 2021.
Desde então, ela relata mudanças significativas que vão além do físico: melhora na postura, maior consciência corporal, equilíbrio e flexibilidade, além de um corpo mais forte e funcional. “Você passa a perceber naturalmente o alinhamento do corpo no dia a dia. Situações cotidianas, como permanecer muito tempo em pé ou realizar pequenos esforços, tornaram-se mais leves a partir dos aprendizados adquiridos nas aulas”, revela.
Outro ponto importante destacado pelos especialistas é o cuidado com os excessos, comuns em atividades físicas de alta intensidade. Após os 40, o conceito de saúde passa a estar mais relacionado à qualidade do movimento do que à quantidade.
“Não se trata apenas de executar o exercício, mas de como executá-lo. Quando a pessoa se conecta com o movimento, começa a perceber seus limites e potencialidades. O pilates promove esse reconhecimento e autoconhecimento”, diz o fisioterapeuta Clério. Segundo ele, o método é indicado tanto para pessoas ativas quanto sedentárias. O importante é respeitar os limites de cada um. “Muitas mulheres são ativas, praticam musculação ou outros esportes, mas ainda apresentam fragilidades no centro do corpo. O pilates trabalha justa-mente essa base”, explica. Hábitos contemporâneos, explica o professor, como longas horas diante de telas, contribuem para alterações posturais, como a projeção da cabeça à frente e o encurtamento da musculatura.

“Nosso trabalho é fortalecer o que precisa de força e alongar o que o que está encurtado, restabelecendo o equilíbrio de todo o corpo”. Esse cuidado individualizado é, inclusive, um dos pilares do método. Antes de iniciar as aulas, cada pessoa passa por uma avaliação detalhada, que orienta um plano de trabalho alinhado às suas necessidades, limitações e objetivos. Aos 61 anos, a escritora e YouTuber Silvia Mazoni, do canal Redescobrindo o Caminho, descobriu no pilates uma prática transformadora, ainda que, no início, sem grande entusiasmo. “Eu não tinha nenhum interesse em fazer pilates. Comecei há cerca de dois anos, por insistência da minha filha, e já na primeira aula fui surpreendida pela eficácia no combate às dores que sentia”, conta. Na época, ela ainda não sabia que convivia com duas hérnias na coluna.
Segundo Silvia, a prática trouxe uma nova consciência corporal. “O pilates trabalhou minha musculatura e postura de uma forma que eu nunca tinha experimentado. A técnica na execução dos movimentos fortaleceu a sustentação da coluna e ativou músculos que eu não estava habituada a usar”, explica. Acostumada a uma vida ativa, ela destaca que a principal mudança não foi apenas o exercício em si, mas a forma de realizá-lo. “Sempre fiz ginástica, mas o pilates me ensinou um novo jeito de me exercitar”, diz . Outro diferencial do pilates está na combinação entre força e flexibilidade, promovendo mobilidade com con-trole — um fator essencial para a qualidade de vida ao longo dos anos.

Segundo a fisioterapepeuta Isabela, com o passar do tempo, o corpo tende a ficar mais rígido, e o método atua justamente no fortalecimento aliado ao alongamento, mas sem gerar sobrecarga. “Isso é fundamental para prevenir lesões e manter a autonomia nas atividades do dia a dia”, explica. A prática também contribui para a saúde mental, auxiliando na redução do estresse e na melhora do sono. O movimento, aliado à respiração, atua diretamente na regulação do sistema nervoso. “Ajuda a reduzir o cortisol, melhorar o sono e ter mais disposição. O que impacta diretamente no equilíbrio hormonal”, afirma. Para muitas mulheres, o pilates se revela como um convite ao presente.
“Durante as aulas somos convidados a ouvir, pensar, executar e sentir. Quando se sente, se está presente”, define. Apesar dos inúmeros benefícios do métodos, os especialistas reforçam a importância de buscar profissionais qualificados e respeitar a individua-lidade de cada corpo, um cuidado essencial para que os resultados sejam seguros, consistentes e duradouros.
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